Na sexta-feira, dia 09 de dezembro, a Fundação Lauro Campos recebeu o lançamento da Bancada Feminista do PSOL. A atividade, promovida em conjunto com o Setoriais de Mulheres Nacional e Estadual-SP, recebeu 10 das 11 vereadoras eleitas em 2016.
Estiveram presentes Áurea Carolina e Cida Falabella de Belo Horizonte (MG); Marielle Franco, da cidade do Rio de Janeiro; Talíria de Niterói (RJ); Fernanda Garcia, de Sorocaba (SP); Sâmia Bonfim, da cidade de São Paulo (SP); Rosi, de Tanabi (SP); Fernanda Melchiona, de Porto Alegre (RS); Fernanda Miranda, de Pelotas (RS); e Mariana Conti, de Campinas (SP).
Mais de 200 pessoas compareceram ao lançamento da bancada, que contou ainda com a participação de Luciana Genro, candidata à prefeitura de Porto Alegre, e Luciana Boiteux, candidata a vice-prefeita do Rio de Janeiro nas últimas eleições.
Ao final da atividade, as vereadoras eleitas leram uma carta que orientará a ação política dos mandatos feministas, que pode ser conferida abaixo:
Apresentamos nesta carta a constituição da nossa Bancada Feminista do Partido Socialismo e Liberdade. Acreditamos que é tempo de uma intervenção unificada entre as vereadoras e os movimentos sociais para resistir aos ataques dos governos e dar mais potência às lutas em defesa das mulheres.
Estamos vivendo um ataque sem precedentes aos direitos dos trabalhadores com o governo ilegítimo de Temer, com a PEC 55 que congela por 20 anos os investimentos nas áreas sociais e a recente (Contra) Reforma da Previdência que impõe a idade mínima de 65 anos para as aposentadorias. Todas essas medidas afetam o conjunto da classe trabalhadora e, principalmente as mulheres, que ganham em média 30% a menos que os homens, que enfrentam duplas e triplas jornadas de trabalho, que sofrem com o assédio sexual e moral, não encontram vagas nas creches e têm os empregos mais precários. São as mulheres mais pobres que morrem vítimas dos abortos clandestinos e inseguros. Precisamos debater a descriminalização do aborto como questão de saúde pública e não como um tabu.
Além disso, na maioria das cidades do país ganharam prefeitos da direita, que se alinham com a política do governo federal e que de longe não têm como prioridade os direitos das mulheres. Há ainda setores fundamentalistas que representam sérios riscos aos nossos direitos sexuais e reprodutivos e liberdades democráticas.
Mas, apesar disso, há muita luta protagonizada pelas mulheres no mundo e no Brasil. Recentemente a campanha #Ni Una a Menos reuniu milhares de mulheres na Argentina, a resistência ao ataque a legislação do aborto na Polônia foi vitoriosa depois de muito luta, as primeiras manifestações de resistência à Trump nos EUA tem jovens, mulheres e negros na linha de frente. No Brasil, os atos contra o Cunha, contra a cultura do estupro, da Marcha das Mulheres Negras, das hashtags nas redes, nosso recado é forte: não aceitaremos mais o machismo, vamos denunciá-lo e vamos nos organizar para conquistar nossos direitos. Vamos ocupar a política e todos os espaços que nos foram negados historicamente. E a eleição das feministas do PSOL também é a expressão da Primavera das mulheres. Para além de ocupar as ruas, estamos ocupando a política.
Apresentamos a vocês a nossa bancada: a Bancada feminista. Agora, em pelo menos 10 Câmaras do país, haverá uma mulher feminista disposta a levar nossas demandas e lutas nas cidades, onde as mulheres mais sofrem com o machismo. Vamos enfrentar o conservadorismo, defender mais verbas para o combate à violência, leis e políticas públicas voltadas à nossa segurança, saúde, cultura e liberdade. Queremos fazer dos nossos mandatos megafones das vozes das mulheres que tomam as ruas de todo o país.
Queremos fazer desta construção um espaço de discussão permanente dos feminismos, colocando a necessidade da luta das mulheres ser interseccional, classista, trans e negra. Queremos ter espaços coletivos e permanentes com os movimentos sociais e ativistas, debatendo e potencializando as lutas. Sabemos que são tempos de resistência e de organização para construir o futuro. Cada um de nossos mandatos é parte das trincheiras necessárias para enfrentar a exploração capitalista e um de seus principais pilares: o patriarcado, o racismo e toda a forma de opressão.
Nosso primeiro encontro realizado em 09 de dezembro de 2016, lança este desafio e convidamos a todas as ativistas a estarem nesta construção conosco.
